Viradouro mostra no ensaio na Sapucaí que é do hall das grandes escolas

 

Surpresa na noite deste domingo no Sambódromo. Após cancelar seu primeiro ensaio técnico, no dia 6 de dezembro, por não ter a comunidade "ainda pronta", a Viradouro pisou na Marquês de Sapucaí para treinar, pela primeira e única vez antes do desfile de 2010, e fez uma grande exibição. Foi um "cala boca" da agremiação de Niterói aos boatos de crise, brigas e desânimo que estaria rondando o conjunto da vermelho e branco. O que se viu na Avenida foi uma escola feliz, solta e que ensaiou com muita garra.

Na comissão de frente, o coreógrafo Sérgio Lobato, um dos mais competentes do carnaval, exibiu o talento dos seus integrantes para o público. Com muitos movimentos, o grupo mesclado de homens e mulheres soube aliar o segredo de parte da dança, que ficou para o desfile oficial, e pitadas de atração para os torcedores presentes nas arquibancadas.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Robson e Ana Paula, que neste carnaval completa dezenove anos de dupla e dois de Viradouro, dançaram fantasiados e mostraram mais uma vez total entrosamento. - Estamos num ritmo de ensaios muito árduo. Estou emagrecendo sem parar. Mas esse ritmo é necessário. Apesar de dançarmos juntos há muito tempo, precisamos ter um bom condicionamento físico, pois nossa fantasia nesse ano terá um peso maior do que o de costume. Terá muitas pedras, que são muito pesadas. Estaremos representando "As Pedras dos Tempos dos Maias". Colocamos um pouquinho de coreografica mexicana na nossa dança. Procuramos buscar cada vez mais a perfeição - declarou Ana Paula.

O ensaio marcou o retorno de mestre Jorjão ao posto de comando da bateria. Com a missão de substituir mestre Ciça, ele caprichou e o treino contou até com a famosa paradinha funk. Pelo metrônomo do SRZD-Carnavalesco, a bateria começou com 153 batidas por minuto, caiu para 149 no Setor 7 e foi para 151 no segundo recuo. - Cada um tem seu estilo. O meu é uma bateria mais cadenciada e o Ciça prefere uma bateria num ritmo mais rápido. Nesses meses que eu já estou na Viradouro, muitos ritmistas voltaram a tocar lá. Isso é legal e a nossa bateria precisa ter esse aspecto de "família".

Mestre Jorjão também contou sobre o que está preparando para o desfile oficial. - Estou esperando fazer uma seis convenções. Nossas paradinhas são mais difíceis porque nós não fazemos em cima de repiques, como muitas baterias fazem. Nossas convenções são em cima das próprias marcações - conta Jorjão, que ainda pretende fazer uma "surpresa" durante a "paradinha funk" no dia do desfile.

Na harmonia, a Viradouro também foi muito bem. O intéprete Wander Pires conduziu com maestria o samba-enredo sobre o México e os componentes não pararam de cantar sequer um minuto. A escola ainda acertou na evolução, não deixando buracos pela pista, e realizando sem erros a entrada e saída do recuo de bateria.

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