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Mistério de arrepiar é o que promete a Viradouro
Por Angélica Paulo e Débora Motta
Mistério. Esta é, mais uma vez, a principal característica dos preparativos da Unidos do Viradouro para o carnaval 2008. Sem revelar quais serão as surpresas e inovações tão comuns em seus desfiles, o carnavalesco Paulo Barros adianta apenas que seu maior intuito é um só:
- O objetivo da Viradouro é fazer um desfile de causar arrepios – revela, citando o enredo da escola para o carnaval deste ano, "É de arrepiar!" - Muita gente achou esse tema abstrato, mas ele está presente no nosso cotidiano. A idéia surgiu da palavra "arrepio". Daí começaram a vir na minha cabeça imagens que causam sensações de arrepio, como o medo, o frio, o prazer e a arte – explica o artista.
Para isso, o carnavalesco foi buscar referências em diversas áreas, como no cinema, com carros que representam os filmes "Edward, Mãos de Tesoura", de Tim Burton e estrelado por Johnny Depp, e "O Exorcista". O objetivo, segundo Barros, é causar arrepios de medo no público.
Acostumado a causar polêmica entre os puristas, por causa de seus desfiles que fogem do convencional, como quando tirou a bateria do chão, colocando os instrumentistas em um carro alegórico no meio do desfile, Barros promete novas surpresas neste ano e faz questão de manter o clima de suspense em torno do desfile, até mesmo quando o assunto é o tipo de material utilizado para confeccionar carros e fantasias.
- A Viradouro virá mais luxuosa. Fizemos um grande investimento. Minha tecnologia é mais cara do que se eu usasse plumas e paetês – adianta.
Mas não é só o carnavalesco quem faz questão de manter o clima de mistério em torno do enredo deste ano. A frase mais ouvida entre os componentes da escola é a já famosa "Mais do que isso eu não posso dizer". Arrancar deles um mínimo detalhe é tarefa praticamente impossível.
Sergio Lobato, responsável pela coreografia da comissão de frente da escola é um dos adeptos do sigilo. Em seu segundo carnaval na escola de Niterói, os poucos detalhes obtidos chegam depois de muita persistência.
- O que posso adiantar é que a será uma comissão de frente menos alegre que a do ano passado. Vamos arrepiar o público, mas de uma maneira diferente, através da beleza e de efeitos especiais – adianta.
Composta por 15 homens, sendo cinco deles da própria comunidade, Lobato afirma que alguns deles nunca haviam dançado antes. Neste ano, a coreografia será apresentada nove vezes, tanto para jurados quanto para o público, o que exige esforço e dedicação, traduzidos em ensaios diários com duração de, pelo menos, cinco horas. O resultado, segundo o coreógrafo, será uma apresentação original que promete, em suas próprias palavras, quebrar o coração do público.
Trabalhos adiantados
Para alcançar a meta "de arrepiar", o desfile da Viradouro terá oito carros alegóricos que remetem às sensações e 32 alas, com 4500 pessoas. Desse total, 2300 fantasias serão destinadas à comunidade.
- Estamos num esquema forte de trabalho, mas ainda não estou virando noites. Diria que 80% dos serviços já estão prontos – avaliou Paulo, otimista.
-No último andar do barracão da cidade do samba, os últimos detalhes são ajustados. Fantasias já embaladas e esculturas em processo de finalização dão o tom de adiantamento dos trabalhos.
- Produzimos, em média, três ou quatro peças por semana. A grande maioria já está pronta, já que começamos os trabalhos em setembro – revela Andréa Vieira, da Escola de Belas Artes da UFRJ (EBA) e responsável pelas esculturas que compõem os carros alegóricos.
Com uma equipe formada por sete pessoas, sendo dois da EBA e os outros da própria comunidade, Andréa conta que o material básico utilizado pelos escultores é o isopor, bem diferente daquele que utilizam nos ateliês da faculdade.
- Lá temos mais tempo para confeccionar uma peça, já que utilizamos outros tipos de materiais, como argila. Aqui trabalhamos com matérias-primas diferentes, que exigem mais rapidez na conclusão do trabalho – conta, enquanto finaliza uma grande escultura do compositor Cartola, um dos homenageados pela escola, que também falará dos arrepios causados pelos carnavais que marcaram época.
- Faço Carnaval pensando nos jurados e no público. Estou preparado para o céu ou o inferno, mas estou confiante. É preciso correr riscos – finaliza Barros.
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