Meio: Veja Rio - Reportagem de Capa
Data: 21 /02/2007
Paulo Barros, carnavalesco. Todos de olho nele
"Vou apostar sempre na criatividade e na ousadia, nunca no luxo".
A pergunta que ecoa as vésperas do Carnaval é: neste ano, enfim, Paulo
Barros ganhará seu primeiro título? Faz três anos que ele arrebata a
platéia e domina as manchetes com suas alegorias vivas e criatividade
plural. Mas – vá entender – não consegue conquistar os julgadores,
muitos menos o campeonato. Bateu na trave duas vezes, com o vice em
2004 e 2005. Nada que o convença a abrir mão da ousadia em prol de um
desfile menos arriscado. "Mesmo se fosse preciso para ganhar o título,
ainda assim eu não faria nada convencional", decreta. "Vou apostar
sempre na criatividade e na ousadia, nunca no luxo".Paulo Barros
arrombou a festa e escancarou a Passarela do Samba para novidades. "O
desfile até pouco tempo atrás eram catorze escolas e uma dança da
cadeira entre os mesmos carnavalescos. Depois de 2004 ocorreu a
virada, com abertura para novas apostas", diz ele. Foi em 2004 que a
Unidos da Tijuca decidiu experimentar e deu uma oportunidade ao
carnavalesco que brilhara no Grupo de Acesso no ano anterior. No
enredo sobre Portinari, o carro feito com latas de tinta chamou
atenção para Paulo, então na segunda divisão do samba.Foram três
temporadas na Tijuca, até o desembarque na Viradouro, uma semana após
a Quarta-Feira de Cinzas no ano passado. Em vez de sair de circulação
uns dias, como de hábito, o pós-desfile foi de batente. "A pior fase
do Carnaval vai da definição do enredo à criação da última imagem.
Escolho o tema pensando no retorno plástico", diz. O enredo escolhido,
A Viradouro Vira o Jogo, é um maná visual. Abrange dos cubos mágicos
ao cassino, runas, pinball e jogos olímpicos. Paulo tenta se blindar
contra a pressão pelos resultados. "Meu maior inimigo sou eu mesmo.
Não me pressiono. Eu me dou a oportunidade de ter a grande sacada",
afirma esse ex-comissário de bordo que mora numa casa em Camboinhas,
Niterói, com dois cachorros. "Não imaginava que fosse acontecer em
torno de mim essa explosão toda", afirma. A Viradouro quer virar o
jogo. Paulo Barros também.
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