Meio: Site O Dia na Folia
Data: 22 /03/2007

Primeira mão: Conheça trechos das justificativas das notas dos jurados do Grupo Especial

Estilo de alegorias teatralizadas de Paulo Barros é considerado repetitivo pelos julgadores


Alberto João


Rio - A hora da verdade chegou para escolas do Grupo Especial. Na noite desta quarta-feira, a Liga Independente das Escolas de Samba entrega aos presidentes das treze agremiações, as justificativas das notas dos jurados para os desfiles do Carnaval 2007. O DIA na Folia fornece em primeira mão trechos das declarações dos jurados.

A proposta do carnavalesco Paulo Barros, da Unidos do Viradouro, de trazer alegorias teatralizadas com pessoas, parece não agradar mais aos julgadores. Famoso por trazer um novo estilo ao carnaval, ele está sendo apontado como repetitivo pelos jurados. Em 2007, a escola de Niterói perdeu nove décimos no quesito. Para Cris Moura, jurada de alegorias e adereços, os movimentos mecânicos e humanos já foram utilizados em outros desfiles. Ainda em sua justificativa, ela aponta os acabamentos dos carros e fantasias, que foram pouco valorizados nos detalhes. "Pouco uso e exploração das formas e volumetrias tridimensionais", disse.

O jurado Luiz Carlos Correa pegou mais pesado com o carnavalesco da Viradouro. "O abre-alas faltou sincronismo dos componentes. O carro era didático, mas sem efeito criativo. A proposta de colocar pessoas gesticulando carros 3 e 6 está repetitiva. O carro 5 era estático e estava servindo para qualquer momento. No carro 7 faltou cuidado no acabamento", revelou.

Sergio Martinolli fez uma pergunta em sua justificativa. "Pode excesso de criatividade ser prejudicial? Vai ser a primeira vez... O carro quatro com bateria falsa não tem sentido nenhum (novidade gratuita). O carro 5 (de cabeça para baixo) era um carro morto, porque não podia ter destaque". Apesar de tudo, o jurado disse: "continua sendo a grande novidade do carnaval do Rio".

A Unidos da Tijuca também sofreu com queixas sobre o estilo de teatralização. "A concepção de colocar pessoas gesticulando está repetitiva", disse Luiz Carlos Correa, julgador de alegorias e adereços, que tirou meio ponto da escola do Borel.

No quesito alegorias e adereços, a maioria dos jurados reclamou dos acabamentos dos carros, além de escadas, pedaços de fantasias e outros materias que não poderiam aparecer no desfile. A carnavalesca Rosa Magagalhães, da Imperatriz, recebeu um recado do jurado Sergio Martinolli. "Alegorias muito mornas pela classe da Rosa Magalhães". Ele tirou dois décimos da agremiação de Ramos.

O Salgueiro, que perdeu três décimos, em alegorias e adereços, foi penalizado pelo julgador Luiz Carlos Correa, porque o carro três tinha problemas com o acabamento no lado esquerdo. Faltou zelo, segundo o jurado. Além disso, o sexto carro tinha componentes desfilando sem sandálias. A raiva do salgueirense deve ficar contra o jurado Sergio Martinolli. Ele alegou que os carros alegóricos estavam quase perfeitos, mas não emocionaram. Por isso, ele tirou um décimo da escola. Na avaliação da Grande Rio, Martinolli deu nota 10 e disse que a escola emocionou com suas alegorias.

Desencontro ritmíco na bateria da Mangueira

A bateria da Mangueira, presidida por Ivo Meirelles, e comandada por mestre Russo, perdeu seis décimos. O jurado William Junior tirou três e disse: "Houve desencontro rítmico entre os tamborins". Ele também comentou que os tamborins tinham forte tendência de adiantar o ritmo. O julgador Julinho Teixeira também tirou pontos da Verde e Rosa pelo desencontro rítmico entre os instrumentos. Luiz Carlos Reis disse na justificativa que surdos embolavam e caixas também.

Mestre Ciça, da Viradouro, perdeu dois décimos, porque a sua bateria deixou de mostrar o balanço característico do "samba", segundo William Junior. O jurado elogiou a inovação da bateria em cima da alegoria, porém, disse que ela puxou o andamento mais rápido.

O trabalho de paradinhas de mestre Marcão, do Salgueiro, foi chamado de incrível por William Júnior. "Porém, a bateria levou muito tempo para firmar um único e bom andamento". Ele tirou três décimos da bateria.

Mestre Celinho, da Unidos da Tijuca, perdeu um décimo, porque segundo o jurado Cláudio Luiz Matheus, a bateria não apresentou ousadia e nem criatividade.