Meio: O Dia na Folia
Data: 19/09/2006
Viradouro dá show e se destaca na apresentação dos enredos para 2007
A Liesa realizou nesta segunda-feira, no Canecão, a festa de apresentação oficial dos enredos e carnavalescos para 2007, num evento para 1800 convidados. Repetindo a rivalidade da avenida, as escolas travaram uma bela disputa na busca pela melhor apresentação. Com isso, ganhou o público que pôde assistir à uma prévia do que será levado para a Marquês de Sapucaí, no próximo ano.
Com uma boa estrututa cênica disponível, as escolas abusaram dos efeitos de luz, criando um verdadeiro show no palco. Prova disso é a Viradouro que foi buscar no talento do grupo de teatro "Lúmini", inspiração para brincar com os jogos (tema de seu enredo) em cena, sendo aclamada pela platéia como a melhor, mais inovadora e mais interessante exibição dentre as treze.
A noite começou com discurso do presidente da entidade, Ailton Guimarães Jorge, que destacou a importância da festa. "Temos grandes enredos, o que garante o êxito do carnaval. A diversidade temática fará com que tenhamos um belo espetáculo". O dirigente ressaltou ainda que as agremiações são as grandes estrelas da cerimônia, por isso houve a necessidade de se cortar o show (geralmente com cantores e humoristas) que encerrava o evento.
É notável o esforço das escolas para trazer maiores novidades a cada ano, tanto que a maioria delas foi buscar em grupos teatrais, elementos e material humano para poder passar a mensagem de seus enredos com mais clareza e categoria. Nesse contexto, o Salgueiro merece destaque, pois utilizou basicamente meninas de sua comunidade para viverem as guerreiras africanas "Candaces".
O tempo disponibilizado pela organização era de dez minutos para cada exibição, no entanto este foi ultrapassado exageradamente pela Grande Rio, cuja explanação ficara a cargo dos atores globais Maria Clara Gueiros e Nelson Freitas Jr. Tudo ia muito bem até a entrada de Agildo Ribeiro no palco. O humorista veterano abusou das piadas constrangedoras, esquecendo que o ambiente pedia mais respeito. Zeca Pagodinho, aguardado anciosamente pela platéia, veio logo depois, mas acabou ficando sem ter o que fazer.
Outro aspecto que chamou a atenção das pessoas foi a mudança de estilo da Beija-Flor. Acostumada a preparar grandes dramatizações e exibições pesadas, a agremiação da Baixada fez uma apresentação alegre e irreverente. Os figurinos de palha deram um ar de ancestralidade à bela exibição dos guerreiros tribais.
Jorge Perlingeiro, o mestre de cerimônia, brincou com o fato das escolas terem realizado exaustivas nove horas de ensaio para que tudo saísse como o previsto. "É cansativo, mas na hora que a gente vê tudo no palco, temos a certeza de que vale a pena", disse o apresentador do programa Samba de Primeira na CNT.
Mesmo com todo o respaldo da staff da Liga, pôde-se notar um evidente desencontro na exibição da Imperatriz. Um banda de coreto tocava enquanto um grupo representava, sem muita alegria e empolgação, o bloco pernambucano Bacalhau do Batata.
A Vila Isabel, campeã do Carnaval 2006, foi a responsável pelo encerramento das apresentações. No palco, um grupo de pessoas formava uma lagarta, que depois se transformava em borboleta, caracterizando a matamorfose mais comum no imaginário das pessoas, segundo o carnavalesco da escola Cid Carvalho.