CURIOSIDADES VIRADOURO
DE ONDE VEIO:
Num bar, próximo ao bairro de Santa Rosa, onde o bonde fazia a volta, jogadores e admiradores do time de futebol Unido, se reuniam após o trabalho para conversar e, o assunto era sempre o mesmo: formar uma escola de samba.
QUEM ERAM ESSAS PESSOAS:
Existiam dois blocos carnavalescos: União e Surdina, antes do surgimento da Unidos do Viradouro. Estes blocos foram extintos, mas alguns sambistas foram se deslocando para outros espaços para produzir seus sambas.
Eram eles: Nelson Braga, Roque Soares, Paulo Braga, Juci, Ataíde, Ercília Guedes, Maria Ana, Oto Braga, Telinho, entre outros.
ONDE SERIA:
A maioria dos sambistas, jogadores e admiradores do time de futebol Unido, moravam no morro da Garganta. Um deles, o Nelson Braga, pediu permissão ao pai para fazer rodas de samba no quintal da sua casa, que ficava na rua Comandante Minervino, 508.
Nelson dos Santos, o 'Nelson Jangada', mudou-se para terreno ao lado de Nelson Braga e simpatizou-se com as rodas e, percebendo que o número de integrantes crescia, cedeu parte de seu terreno. Juntos então, construíram com folhas de pinhoba e terra batida a primeira quadra da Unidos do Viradouro e para cercá-la, usaram cordas de cizal.
Essas rodas de samba, levaram anos.
QUANDO:
Aproximava-se o dia de São João, padroeiro da cidade de Niterói. Resolveram, então, fundar a escola neste dia: 24 de junho de 1946.
AS CORES:
Inicialmente, adotaram as cores azul e rosa, por serem brilhantes e chic. O povo, naquela época gostava desses tons.
Usava-se muito cetim nas roupas e nas alegorias. A tonalidade do tecido que a Viradouro usava, era fornecido pela fábrica Matarazzo, em São Paulo. Após seu fechamento, a escola procurou outros fornecedores, porém, não havia quantidade suficiente no mercado. Ao tentar improvisar, as escolas adversárias passaram a acusar a Viradouro de desfilar com roupas e alegorias reaproveitadas, visto que, é essencial, o respeito às cores originais. Percebendo, que a escola, perdia notas, a diretoria resolveu trocar suas cores.
Ao desfilar, pela primeira vez, com as cores vermelho e branco, em 1971, a escola conquistou mais um campeonato.
O SÍMBOLO:
A senhora Lia Sebastiana Xavier, a ‘Tia Lia’, uma das que participaram da fundação da Viradouro, conta que o símbolo foi criado, porque havia entre as pessoas muita união, todos, sem exceção, ajudavam a escola, mesmo aqueles que não desfilavam.
QUADRA DEFINITIVA:
A Viradouro passou por muitas dificuldades. Antes, em sua sede, não havia luz elétrica e nenhuma infra-estrutura. Mas, ainda assim, fizeram um piso de cimento e lá aconteceram muitos bailes e festas.
As dificuldades foram vencidas, e enquanto isso, a Viradouro estava crescendo.
Cresceu tanto, que a quadra no alto do morro ficou pequena demais para a quantidade de freqüentadores. Foi então, que em 1965, a escola mudou-se para o bairro de São Lourenço, na rua Indígena. Passou definitivamente para o asfalto.
O CARNAVAL:
Antes do Carnaval, um ‘Livro de Ouro’, circulava no comércio local com intenção de arrecadar verbas, já que as escolas não recebiam ajuda da comissão que organizava o Carnaval. Mas, o dinheiro recolhido era insuficiente. Então, os componentes, retiravam do seu próprio bolso, para a confecção das fantasias.
Na década de quarenta, não havia carnavalesco, todo o trabalho era feito em conjunto, todos cooperavam: jovens e crianças, pessoas de todas as idades.
As alas eram separadas: homens de um lado, mulheres de outro. Chamava-se ‘simpatizante’ os componentes da escola.
O DESFILE:
O primeiro desfile, aconteceu na Rua da Conceição, onde era feito o Carnaval em Niterói, em 1947. Nesse ano, e no seguinte, não havia enredo, mas conquistou o quarto e o terceiro lugar, respectivamente. A escola estava lá para concorrer com as outras, que já participavam há tempos. Foi um grande desfile, para uma estreante e, uma grande alegria para todos.
O CAMPEONATO:
Com o enredo Araribóia, a Unidos do Viradouro, ganhou o campeonato em 1949.
“A comissão de frente, era composta de damas antigas, com vestido longo e um grande chapéu com abas”, lembra a senhora Maria Braga, irmã de Nelson Braga.
De 1947 a 1963, a Viradouro conquistou dez campeonatos. Depois, mais oito títulos, entre 1966 e 1985. Orgulha-se de um pentacampeonato, conquistados entre 1980 e 1984.
O PRESIDENTE:
Nelson Arnaldo Braga, além de ter sido o fundador e mentor da escola, foi também o primeiro presidente da Unidos da Viradouro. Nelson Braga, com sua paixão pelo samba e com sua tenacidade, construiu um terreiro, lá no alto do morro da Garganta, a vencedora, Unidos do Viradouro. Ele acreditou no sonho.
Os componentes agradecem!
Não poderíamos deixar de destacar, a importância de outro apaixonado por Carnaval e, pela Viradouro – Nelson Jangada. Ele foi o segundo presidente da escola, que junto ao Nelson Braga, fez da escola, um verdadeiro ‘celeiro de bambas’.
Uma de suas inesquecíveis invenções, foi batizar as mulheres de ‘pastoras’ e, os homens de ‘manos’. Não sabemos a razão, mas, as expressões, ficaram famosas, sendo utilizadas em várias canções e marchinhas, no século passado.
As primeiras ‘pastoras’ foram: Tia Nazaré, Maria Ana, Dominga, Ercília, Mariazinha, Albertina, Ilma, Lia, Tuca, Marlene, Nadir, Bela, Madalena, Iara, Eliza, entre outras.
Os ‘manos’, que foram os fundadores da escola, destacam-se: Salviano, Telinho, Waldir, Aroldo, Goi, Orebio, Edésio, Pinto, Chinelo, Silvestre, Círio, Genésio, Tião, Ademar, Oto, Chico, Leco, Neguinho, Dino e outros.
Texto extraído da monografia de Sonia Maria dos Santos. |